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CONCORRÊNCIA Steve Ballmer, presidente executivo da Microsoft, quer o Yahoo! para entrar de vez no mercado online e superar o Google

No mundo dos negócios, da política e da política econômica vale a máxima: “Se não pode com eles, junte-se a eles.” Fundir-se com mega-empresas é o caminho que grandes corporações encontram para driblar crises e alavancar o valor de suas ações. É o caso da Microsoft, que com a saída estratégica de seu comandante Bill Gates se prepara para se lançar em um novo mercado, tentando surfar no sucesso de serviços de buscas e anúncios online. Ou seja: a empresa que reinou no universo do software pretende conquistar agora a fatia dominada soberanamente pelo Google. Para bater de frente com esse gigante, a Microsoft fez uma proposta fantástica de US$ 44,6 bilhões para o concorrente Yahoo!. Trata-se do ápice de um processo em que ela quer ganhar espaço, de olho nos crescentes ganhos que ferramentas de buscas conseguem com a publicidade. Bill Gates está no caminho certo: o Yahoo! é a segunda maior nesse setor, com 500 milhões de usuários.

“Esse será o próximo grande marco da nossa transformação em serviços online”, diz Steve Ballmer, presidente executivo da Microsoft que capitaneia a audaciosa negociação. Ele acredita que o mercado de anúncios via internet corresponde a US$ 40 bilhões e estima que crescerá para US$ 80 bilhões nos próximos três anos. “A melhor alternativa para competir é chegar com um produto que já tenha a confiança das pessoas”, diz Ballmer. Segundo Laura Martin, analista da Soleil-Media Metrics, de Nova York, o Yahoo! tem uma das melhores posições porque integrou propaganda e buscas. Com a certeza de que está disparando um tiro decisivo, Ballmer telefonou para o executivo-chefe do Yahoo!, Jerry Yang, e fez sua proposta. O mercado reagiu imediatamente. A oferta de US$ 31 por ação representou um prêmio de 62% sobre a cotação de fechamento das ações do Yahoo! na semana anterior ao Carnaval. Não demorou para o Google reagir, fazendo publicamente duras críticas à proposta. “Essa é uma tentativa da Microsoft de expandir o monopólio de softwares dentro da internet”, disse David Drummond, vice-presidente do Google. “A combinação Microsoft- Yahoo! pode minar a competição aberta que tem impulsionado mais de uma década de inovações na web.” Em meio a essa disputa, o Yahoo! aproveitou para valorizar o seu passe. “A proposta joga luz sobre a formidável força de nossa marca e de nossos ativos. Valemos mais do que estão oferecendo”, disse Yang.

Sentindo-se a cereja do bolo, o Yahoo! se abriu a novas ofertas. Para colocar lenha na fogueira e tentar aumentar o lance da Microsoft, há quem diga que está negociando com o Google para que ambos se unam e compartilhem o lucro das propagandas geradas em suas páginas. Com isso, economistas da bolsa Dow Jones de Nova York afirmam que a receita da empresa cresceria e diminuiriam os custos. Contrariado, Ballmer reagiu e mostrou que não aceitará um “não” como resposta: “O melhor para o Yahoo! é ficar ao lado da Microsoft. Estamos certos disso.” O analista Andrew Frank, do Instituto de Pesquisa Gartner, de Nova York, tranqüiliza Ballmer: “Eles (Yahoo!) terão dificuldades para encontrar outro pretendente que pague esse valor. Eles vão ceder.” Os investidores do Yahoo!, que viram o valor de suas ações cair pela metade nos últimos dois anos, podem preferir a venda para a Microsoft do que continuar enfrentando o Google. E, ainda que Yang se oponha ao negócio, ele e o co-fundador David Filo têm menos de 10% das ações ordinárias. Assim, ao que tudo indica, essa batalha Bill Gates vencerá.

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