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Vizinhos Muy Amigos
Depois do Equador, agora é o Paraguai que acena para o Brasil com a ameaça de calote

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Uma reunião de cúpula reunirá na próxima semana, em Salvador (BA), representantes de 33 países da América Latina e do Caribe. Apesar de seu caráter diplomático, o encontro será mais um teste para a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na região. Desta vez, o que está em jogo é o papel do Brasil como credor de seus vizinhos. Ameaças de calote não param de surgir desde que o presidente do Equador, Rafael Correa, pediu a arbitragem de uma corte internacional para questionar uma dívida de US$ 243 milhões de seu país com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

O mais recente questionamento acaba de chegar do Paraguai. Vinte e quatro anos depois de a usina hidrelétrica de Itaipu entrar em operação, o governo do presidente Fernando Lugo quer mudar a forma de pagamento da dívida assumida pelos dois países para a construção da obra. De quebra, pretende alterar o tratado que prevê a venda para o Brasil, a um preço mínimo, da cota de energia de Itaipu que tem direito, mas não consome.

"São duas propostas irrealistas, mas o Brasil tem interesse em contribuir para o desenvolvimento no Paraguai", disse o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, na terçafeira 9, na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado. A proposta do Paraguai é que o Brasil assuma US$ 19 bilhões de uma dívida total de US$ 19,6 bilhões.

Este ano, o Brasil já amargou um prejuízo de R$ 2,067 bilhões, com concessões feitas ao Paraguai, relativas à correção monetária da dívida. Na quintafeira 11, em encontro realizado em Foz do Iguaçu (PR), representantes dos dois países decidiram fazer uma auditoria binacional sobre a dívida. Quanto a outros vizinhos, o governo brasileiro já acendeu o sinal de alerta. Tanto Venezuela quanto Bolívia também anunciaram a intenção de "auditar" suas dívidas externas.