17/12/2008 - 10:00
Internacional
Gregos em Fúria
Onda de protestos desencadeada por morte de estudante se volta contra o governo

Pelo menos uma vez por semana tem protesto em frente ao Parlamento, na praça Sintagma, em Atenas, a capital da Grécia. Manifestações políticas fazem parte da tradição de um país que se orgulha de ser o berço da democracia. Da mesma forma, escaramuças entre policiais e estudantes ocorrem com freqüência na cidade, em particular no bairro de Exarchia, cujas ruas são repletas de cafés e barzinhos. Na semana passada, porém, a crescente insatisfação com o governo transformou esses dois fatores em uma mistura explosiva depois que um estudante de 15 anos foi baleado e morto pela polícia em Exarchia. Protestos contra a violência policial rapidamente se voltaram contra a política econômica do primeiro-ministro Costas Karamanlis, desencadeando a maior onda de violência do país nas últimas três décadas. Apenas em Atenas, mais de 400 estabelecimentos comerciais acabaram danificados – 32 deles completamente destruídos -, somando um prejuízo estimado em 200 milhões de euros.
O cenário de destruição foi agravado pela ação de grupos anarquistas e pela eclosão de uma greve geral, convocada anteriormente pelas centrais sindicais. Até o líder da oposição, o socialista George Papandreou, que começou a semana fazendo duras críticas ao governo, pediu calma. "Apelo a todos para que mostrem responsabilidade, contenção e terminem com a violência", pediu Papandreou na quarta-feira 10. Dois dias depois, protestos seguidos por atos de vandalismo continuavam a ser registrados no país. Na capital, o epicentro da revolta era a Faculdade Politécnica, ocupada por pelo menos 200 estudantes. Em 1973, no auge do movimento que culminou com a queda de uma ditadura militar de seis anos, tanques de guerra foram usados para derrubar as grades de ferro da faculdade e sufocar um levante estudantil.
Hoje, pela nova Constituição do país, é vetada a entrada da polícia e de forças militares em escolas e universidades. E foi na Politécnica de Atenas que grupos de estudantes começaram a se reunir depois da morte de Alexandros Grigoropoulos, no sábado 6, vítima de um tiro disparado por um policial.
"Ninguém tem direito de utilizar este fato trágico como desculpa para as ações de violência contra cidadãos inocentes, seus bens, contra a polícia e a democracia", disse o primeiroministro, o conservador Karamanlis, ao tentar conter a escalada dos protestos.
Com um índice de popularidade oscilando entre 4% e 5% nas pesquisas de opinião pública, Karamanlis e seu governo enfrentam denúncias de corrupção em meio a uma crescente crise econômica. Entre os jovens, é particularmente impopular. Não se trata de um acaso.
A taxa média de desemprego no país – 7% – salta para 21% entre a camada mais jovem da população.

