Comportamento

Dieta Globalizada
Livros prometem eliminar quilos com base nos costumes de outros países. Mas será que servem para as brasileiras?

Verônica Mambrini

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Comer comida francesa, chinesa e japonesa, sem restrições ou dietas rigorosas, e emagrecer ou permanecer esbelta. É o que promete uma linhagem de livros que se concentram nos estilos de vida e na relação com a comida das mulheres de cada um desses países. Mas nenhum deles dá aval para se entregar sem culpa às delícias de um bistrô, à comida chinesa pedida por telefone ou a um rodízio de sushi e sashimi. Essas publicações tratam da culinária caseira, mais simples e natural, em nada parecida com a comida de restaurante.

i81858.jpgA moda começou com o best-seller As mulheres francesas não engordam, de Mireille Guiliano, CEO da Maison Clicquot. No livro, ela conta como usou truques franceses para se livrar dos quilos extras depois de uma temporada nos Estados Unidos. Lançado em 2005, o livro vendeu mais de dois milhões de cópias no mundo todo – 100 mil no Brasil. O sucesso garantiu uma continuação, Os segredos das mulheres francesas, com dicas de estilo de vida e receitas.

"Tanto interesse por dietas é natural. Indicadores mostram que a obesidade cresce no mundo inteiro, inclusive nos países que são tema desses livros", diz a nu-tricionista Mariana Del Bosco. Na esteira do sucesso francês foram lançados Mulheres japonesas não envelhecem nem engordam, de Naomi Moriyama, e, no mês passado, Por que as chinesas não contam calorias, de Lorraine Clissold. Ambos esmiúçam a dieta e os hábitos orientais, que, segundo as escritoras, garantem silhueta esguia para quem os segue.

A leitura é convidativa, mas, muitas vezes, distante do arroz e feijão das brasileiras. "Tudo que é diferente da rotina alimentar é difícil de seguir por muito tempo", diz Mariana. A nutricionista Ana Beatriz Baptistella lembra também que a herança genética pode fazer diferença na forma como uma dieta é assimilada.

"A soja, por exemplo, muito comum entre os chineses e japoneses, pode ter efeitos só a partir da quarta geração que a está consumindo." O recomendado é aproveitar a enorme variedade de alimentos disponíveis no Brasil. E usar o bom senso na hora de fazer o prato.