Comportamento

Babado de Verão
Vestido branco de algodão com saia curta rodada será a febre das praias nesta temporada

Maíra Magro
 

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Os poetas, como Vinícius de Moraes, diriam que é a coisa mais linda e cheia de graça. Mas, certamente, estranhariam que as meninas a caminho do mar estivessem usando o mesmo modelo como saída de praia: um vestidinho branco de algodão e poá, com saia curta rodada e decote amarrado com lacinho. Não há garota de Ipanema – independentemente do bairro carioca em que more – que não use a indumentária, verdadeira febre no Rio, cidade reconhecida por lançar modas de verão. O modelo é vendido também em outras cores e a preços que oscilam entre R$ 150, nas lojas, e R$ 25, nos camelôs. O estilo simples é levemente inspirado na atriz Brigitte Bardot, no filme Viva Maria, segundo a consultora de moda Heloísa Marra.

"Tem um estilo folk romântico, que lembra a roupa de baixo da mulher", afirma. Também há interpretaçõesconectando a roupa à eterna busca pela juventude. "Este vestido está relacionado a uma silhueta feminina, delicada e infantil. Deixa a mulher mais jovem", garante Luciana Casali, coordenadora do curso de design de moda da Universidade Veiga de Almeida, no Rio.

i81836.jpgNão há uma assinatura única e conhecida para o vestidinho e a aposta de especialistas é que ele seja uma mutação progressiva das cangas que dominaram as areias nos anos 80 e 90 e começaram a perder espaço para shorts e diferentes saídas de praia a partir de 2000. Há quem veja influência das passarelas internacionais. "O babado foi muito usado em desfiles recentes de Prada e Christian Dior", lembra Angélica Oliveira de Castro Nunes, estilista da Bumbum, onde as peças podem custar até R$ 150. "Pesquisamos tendências de vestidos e aplicamos nas saídas de praia." Já a professora Luciana Casali aposta no caminho inverso: "A moda passa pela criação das grifes e estas difundem os modelos, que depois voltam para as ruas de forma massificada.

"Por isso, embora as areias cariocas sejam uma sucessão de clones, ninguém parece se importar. "Não tem problema, existem variações e é bonito", diz a advogada Isabela Patrus, 24 anos, que comprou o seu de um ambulante em Ipanema. A psicóloga mato-grossense Cristiane Gonçalves, 27 anos, que mora há nove no Rio, adicionou seis ao seu guarda-roupa. "É prático, confortável e combina com tudo", explica.

O ambulante Antônio Bispo Matos, 26 anos, diz que vende três por dia na orla da zona sul do Rio. "Tem em várias cores, mas o branco é disparadamente o mais procurado", afirma. Leves e femininas, essas peças são perfeitas, também, para a esticada póspraia. Provavelmente, este é um dos motivos do sucesso: uma roupa que funciona no doce balanço a caminho do mar ou da balada.