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PISSETTI diz que é voluntário

 DEPUTADO Rossoni quer fazer investigação no Paraguai

 

A conexão paraguaia do governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), será investigada por uma comissão suprapartidária. Esta semana, o deputado estadual Valdir Rossoni (PSDB) proporá que um grupo de parlamentares vá ao Paraguai para saber a exata participação de Requião na campanha do candidato Fernando Lugo, ex-bispo católico alinhado com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Na última edição, ISTOÉ publicou detalhes das ações de Requião para ajudar a campanha de Lugo. Entre as denúncias estava a participação do secretário de Comunicação do governo do Paraná, Airton Pissetti, no marketing da candidatura de Lugo. “Isso é, no mínimo, uma transgressão, um desvio de função pública”, avalia o professor José Flávio Sombra Silveira, do Departamento de Relações Internacionais da Universidade de Brasília. Na terça-feira 5, Lugo admitiu, segundo o jornal paraguaio ABC Color, que se reuniu com Requião e que após essa reunião passou a contar com a ajuda de Pissetti em sua campanha. O problema é que Pissetti vem prestando esse serviço de assessoria sem se desligar do governo do Paraná. Na quintafeira 7, Pissetti anunciou que vai pedir licença do cargo de secretário de Comunicação do governo paranaense para se dedicar exclusivamente à campanha de Lugo. “É verdade que tenho a permissão do governador, mas é um apoio meu. Voluntário”, afirmou Pissetti. “Isso é extremamente irregular”, ataca o deputado Rossoni. “Como é que um funcionário público, pago pelo contribuinte, dedica parte do seu tempo à campanha política de um candidato à Presidência de outro país?” Agora, Rossoni quer apurar se a ajuda de Requião não vai além do empréstimo do assessor. O senador paraguaio Hermínio Chena, por exemplo, menciona a possibilidade de uma triangulação do governador paranaense com o presidente venezuelano para suprir de recursos a campanha de Lugo. Apurase ainda a denúncia de que Lugo viajou ao Paraná para um tratamento de saúde a bordo de um jato do governo de Requião. O governo paranaense nega. “Uma coisa é torcer, outra é atuar diretamente. Não custa lembrar que política externa não deve ser exercida ao sabor de meras conveniências político- eleitorais”, critica o professor José Flávio Silveira.