A agitação tomou conta dos camarins do musical Miss Saigon, a milionária adaptação da ópera Madame Butterfly para o contexto da Guerra do Vietnã – custou US$ 12 milhões e estréia em São Paulo no próximo dia 12. Nos corredores do teatro, bandeiras do exército norte-vietnamita, armas de mentira e muitas fotos de combates compõem o ambiente. Estamos no primeiro dia da chamada sitzprobe, quando o elenco passa a cena com a orquestra, e o ator Nando Prado atrapalha-se ao vestir a farda de mariner. Ele interpreta Chris, um soldado que é forçado a se separar da mulher – ela se chama Kim, é vietnamita e se prostitui para sobreviver. "Já comecei a ter pesadelos", diz Prado, que tem assistido diariamente a filmes de guerra para "entrar no clima".

Cristina Cândido, que se alterna com Lissah Martins no papel de Kim, diz que o sentimento de sacrifício de sua personagem é bastante feminino – a vietnamita se mata para que o filho nascido de sua relação com o soldado americano tenha uma vida melhor. "É uma reação maternal", diz ela. Apesar dos olhos puxados, Cristina não tem qualquer ascendência oriental: seus pais são cearenses. No caso de Mauro Sousa, que encarna o "marido arranjado" de Kim, pesa outra origem além da mãe japonesa. Seu pai é o desenhista Mauricio de Sousa. Thiago Abravanel, que faz cinco papéis, nem precisa exibir a identidade. Ele é a cara do avô Silvio Santos.

UMA TRÁGICA HISTÓRIA DE AMOR PASSADA NA GUERRA
Cristina Cândido (à dir.) vive Kim, uma vietnamita que se apaixona pelo soldado americano Chris, interpretado por Nando Prado. O ator vê dois filmes de guerra por dia para se familiarizar com o tema. À esquerda, o casal reproduz a cena que fecha o musical