19/01/2005 - 10:00

Na comemoração dos 50 anos da obra de Ariano Suassuna, publicada em 1955, nada mais oportuno que rever O auto da Compadecida, feliz adaptação cinematográfica da peça, assinada por Guel Arraes. Exibido originalmente em 1999 como série de tevê pela Rede Globo, O auto obteve grandes índices de audiência, motivo pelo qual acabou chegando às telas em edição enxuta. Tornou-se, assim, um dos filmes de maior sucesso da história recente do cinema brasileiro. Visto por aproximadamente dois milhões de pessoas, a comédia acompanha aventuras de João Grilo (Matheus Nachtergaele), sertanejo pobre, mas cheio de manhas e malandragens. Na luta pelo pão de cada dia, João Grilo deixa uma trilha de confusões no sertão da Paraíba. Seu companheiro de estrada, o não menos malandro Chicó, interpretado por Selton Mello, não fica atrás.
A dupla enfrenta situações tipicamente picarescas ao enganar ricos, poderosos, coronéis e cangaceiros. Em Taperoá, os dois tentam convencer o padre a benzer a cachorrinha de Dora, mulher do padeiro e patroa deles, para cair nas suas graças. De mentira em mentira, João Grilo e Chicó vão conseguindo o que querem. As estripulias só abrandam quando encontram o temido cangaceiro Severino (Marco Nanini) e se dão mal com as principais autoridades locais. Mas por pouco tempo.
Na prestação de contas diante do Tribunal das Almas, João Grilo ainda apronta
com um Jesus Negro e um diabo histriônico, em um ótimo casamento de cinema inteligente e temas populares.
