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Realismo: Domésticas retrata
o cotidiano com humor

Fernando Meirelles e Nando Olival, diretores de Domésticas (oitavo filme da Coleção ISTOÉ – o melhor do cinema brasileiro), resolveram trazer para o primeiro plano aqueles personagens que, tanto no cinema quanto na vida real, parecem invisíveis ao olhar comum – e quando não o são, não fogem do estereótipo. São as empregadas domésticas. Adaptado de uma peça de sucesso de Renata Melo, por sua vez fruto de uma extensa pesquisa realizada com essas profissionais, Domésticas nos oferece um pouco da vida de mulheres que, como quaisquer outras, têm anseios, frustrações, sonhos, diversões, momentos de prazer e de dor.

Com muita sensibilidade e fazendo uso de uma linguagem irreverente e criativa, fruto da experiência dos realizadores com filmes publicitários, Olival e Meirelles (que mais tarde assinaria o consagrado Cidade de Deus) mostram o cotidiano de um grupo de empregadas a partir de suas trajetórias individuais. Ao se acompanhar a vida de personagens como Cida, Roxane, Quitéria, Raimunda e Créo tem-se, ao final, a sensação de se ter ingressado um pouco mais nesse universo ao mesmo tempo desconhecido e absolutamente familiar. A trilha sonora, repleta de sucessos “bregas” de Lindomar Castilho e Ângelo Máximo, entre outros, ajuda a dar o tom desta comédia que tem também um sabor amargo – e a faz, efetivamente, muito mais interessante.