Esta edição de ISTOÉ traz em primeira mão os resultados de uma pesquisa feita pelo Vox Populi a pedido do Instituto Nacional de Turismo (Embratur). As entrevistas feitas com 1.203 turistas estrangeiros em trânsito pelo Brasil entre os meses de setembro e outubro do ano passado revelam que, apesar do sofrimento decorrente da violência, da perversa distribuição de renda e do desemprego, o jeito de ser do brasileiro ainda é um dos maiores patrimônios nacionais. Dos que vêm para o Brasil, 31% o fazem atraídos pelo imenso litoral, 20% pelo clima tropical e 16% por nosso amplo cardápio de belezas naturais. Quando deixam o País, 52% dos estrangeiros levam como principal lembrança o brasileiro. Esse patrimônio foi percebido como tal pelo antropólogo Darcy Ribeiro. Em O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil, uma de suas principais obras, ele já dizia que a convivência harmônica entre raças e culturas diferentes é a maior contribuição do Brasil à civilização. De fato, é isso o que os estrangeiros percebem quando em contato com o nosso povo – coisa que nós mesmos, muitas vezes, não nos damos conta. Valorizar esse patrimônio, não só para consumo doméstico, como tem feito o governo com a campanha “O melhor do Brasil é o brasileiro”, deve ser objeto de ação governamental e da sociedade civil. O Brasil só tem a ganhar.

Outro tema que diz respeito ao brasileiro como povo está abordado na reportagem de capa desta edição. Ela trata da obesidade infantil e alerta para os riscos de uma dieta desequilibrada. Quando se constata que uma em cada três crianças brasileiras está acima do peso, a questão deixa de ser apenas um problema de estética e exige que seja tratada sob a ótica da saúde pública. Exatamente como têm feito alguns governos. Em Florianópolis (SC), há três anos as escolas são impedidas de vender em suas cantinas qualquer produto que colabore com o aumento do peso das crianças. Na semana passada, a mesma medida foi tomada pelo governo do Rio de Janeiro. A questão é séria e merece ser tratada como tal, não como fez um certo correspondente do jornal The New York Times. Na quinta-feira 13, ele publicou reportagem ironizando o fato de os brasileiros estarem mais gordos. A reportagem reproduziu fotografias de mulheres obesas na praia e afirmou que a imagem da garota de Ipanema não mais pode simbolizar a beleza das brasileiras. Como se trata do mesmo jornalista que meses atrás chamou levianamente o presidente Lula de alcoólatra, nota-se que seu estilo míope de olhar os fatos permanece.