Brasil

Disputa embolada
Pequenos partidos tentam impedir que o PMDB consiga assumir o controle das duas Casas do Congresso

Rudolfo Lago
 

i83857.jpg

O quadro para as eleições de presidente da Câmara e do Senado tornou-se completamente imprevisível. Na última vez em que tal grau de imprevisibilidade aconteceu, o resultado foi a eleição do ex-deputado Severino Cavalcanti como presidente da Câmara. "O baile começou, e quem quiser dançar em 2010 tem de encontrar a sua dama agora. Quem ficar no canto estará fora do baile depois", diz o deputado Beto Albuquerque (PSBRS). Tudo gira em torno das posições do PMDB, maior partido do País, que é ambíguo o suficiente para ficar tanto com o candidato do governo quanto com o nome da oposição em 2010. A possibilidade de o PMDB ficar com o comando das duas Casas assusta os demais partidos, pela concentração de poder e de capacidade de barganha.

Na segunda-feira 15, o presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), moveu a primeira peça: informou que encontrara uma brecha jurídica para disputar a reeleição. Na quarta-feira 17, ele apresentou à bancada dois pareceres jurídicos, de Manoel Gonçalves Ferreira Filho, professor de direito da USP, e de Diogo de Figueiredo Moreira Neto, advogado constitucionalista do Rio.

De acordo com os advogados, Garibaldi pode disputar a reeleição agora porque foi eleito para completar o mandato de Renan Calheiros, que renunciara. Na quarta-feira 17, a candidatura de Garibaldi recebeu o apoio formal de 17 dos 20 senadores do PMDB.

Garibaldi reconhece que provavelmente haverá contestação judicial à sua postulação, provavelmente vinda do PT e de seu adversário na disputa pelo Senado, Tião Viana (PT-AC). Por isso, há quem desconfie que, no fundo, a intenção de Garibaldi foi criar um fato que mantivesse indefinido o quadro, gerando uma confusão agora para que, depois, o senador José Sarney (PMDB-AP) apareça como uma solução de consenso. "Eu só não disputaria na hipótese de o senador José Sarney sair candidato", disse Garibaldi à ISTOÉ. "Ele me disse que não quer. Agora, se ele mudar de idéia, retiro minha candidatura na mesma hora", completou.

A entrada de Garibaldi na disputa gerou na Câmara uma reação do bloquinho formado pelo PSB, PDT e PCdoB. Os três partidos oscilam em ter em 2010 candidato próprio à Presidência (o deputado Ciro Gomes) ou em disputar com o PMDB a indicação do vice da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (hipótese reservada para o governador de Pernambuco, Eduardo Campos). Assim, na terçafeira 16, o "bloquinho" resolveu lançar o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), ex-presidente da Câmara. E, para completar, Rebelo entrou firmando no dia seguinte um compromisso de apoio recíproco com o deputado Ciro Nogueira (PP-PI), outro candidato que disputará o cargo em fevereiro, contra o nome do PMDB, Michel Temer.

Quem for ao segundo turno, contará com o apoio e os votos do outro. Uma disputa com três candidatos dificilmente não irá para o segundo turno.