31/12/2008 - 10:00
Lobão, o senhor do pré-sal
Em visita a Londres a convite do primeiro-ministro Gordon Brown, para uma reunião da Opep, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, foi recebido como um príncipe saudita. O tratamento nobre, segundo ele, deve-se à descoberta das reservas de pré-sal. Na volta, Lobão acertou com a ministra Dilma Rousseff uma reunião para a primeira semana de janeiro, na qual será batido o martelo sobre o marco regulatório que vai criar a nova estatal responsável pelas províncias de pré-sal. "Essas descobertas são extraordinárias para o Brasil. As riquezas precisam ser transformadas para que o pré-sal seja de todos, e não de alguns poucos."
Esqueceram de mim
Na madrugada da quarta-feira 17, projetos importantes deixaram de ir para a pauta. Um deles tratava da lei para regulamentar as antenas de celular, que devem ter cobertura nacional já em 2009. O tema interessa às operadoras. Havia acordo de líderes. Romero Jucá não lembrou Garibaldi Alves e ele nada cobrou.
Motivo de força maior
Preocupado com as chuvas que inundaram várias cidades de Minas, o governador Aécio Neves mudou de agenda e cancelou os dias de férias que tiraria entre o Natal e o Réveillon. Aécio costuma passar as festas no Rio de Janeiro, mas este ano vai fazer forfait.
De porta em porta
Se os deputados não vêm a Brasília em janeiro, Michel Temer (PMDB-SP), candidato à presidência da Câmara, irá atrás deles. Temer pretende viajar a 18 capitais, atrás dos votos de seus pares. Começa por Palmas e Belém na primeira semana do Ano-Novo.
Pernas para o ar
O ministro Joaquim Barbosa, que é o relator da ação penal que apura o escândalo do mensalão, aproveitou o recesso do Judiciário para se desligar totalmente da pauta do STF. "Estou exausto. Vou para fora do País", disse, ao fazer escala no Rio de Janeiro.
Recorde de faltas
Não bastasse a disparada de José Serra nas pesquisas, o deputado Ciro Gomes, candidato do PSB à Presidência, tem outra satisfação a dar a seus eleitores. Segundo levantamento do site Congresso em Foco, ele faltou a mais da metade das sessões da Câmara.
Quem é o prefeito
Já em campanha para o Senado, Lindberg Farias, prefeito reeleito de Nova Iguaçu, pôs em sua cadeira o secretário de Governo Toninho da Padaria, dando-lhe amplos poderes. Na ausência do chefe, o secretário contratou uma nova empresa para coletar o lixo na cidade. Mas tem estreitas ligações com a contratada.
Atenção, Arruda!
Uma licitação milionária de informática no BRB foi vencida pela Cast, polêmica empresa de Brasília, sem documentos exigidos no edital. O caso está na Justiça e pode atingir pessoas ligadas ao governo do GDF.
Com os dedos cruzados
Para o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, o governo fez tudo para socorrer a indústria automobilística. Além da redução do IPI para carros até duas mil cilindradas, deu crédito farto para o setor através de bancos oficiais e reduziu o custo do crédito direto ao consumidor. As vendas no Natal reagiram bem. Faltava aquecer também o mercado de usados, o que foi feito com o aumento de recursos para bancos de pequeno e médio porte, já autorizado pelo Conselho Monetário Nacional. Agora, diz o ministro, só resta aguardar o efeito das medidas e torcer para que tudo dê certo.
Salvo pelo gongo
No embate final pela aprovação do Orçamento de 2009, o ministro Fernando Haddad perdeu quase R$ 2 bilhões. Mas a Educação foi salva pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que prometeu repor os recursos com a criação de um fundo com patrimônio da RFFSA. Mesmo assim, o senador Delcídio Amaral, relator da comissão mista, ficou com o filme queimado.
TOMA-LÁ-DÁ-CÁ
ALDO REBELO (PCdoB-SP), candidatoà presidência da Câmara
ISTOÉ – Por que o sr. resolveu se candidatar?
REBELO – Foi uma decisão do bloco de esquerda. PSB, PDT, PCdoB e PMN não se sentiam representados em nenhuma candidatura.
ISTOÉ – Quais são seus projetos para a Câmara?
REBELO – Administrei a Câmara numa época de crise. Espero valorizar o Poder Legislativo,
com uma agenda transformadora.
ISTOÉ – Que reformas o sr. pretende colocar em pauta?
REBELO – Reformas política e tributária, que são o caminho para o aperfeiçoamento democrático
do País e para o crescimento sustentável.
O senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) atravessou mais de 30 anos de vida pública sem fazer inimigos nem se meter em muita confusão. Nos últimos tempos, tudo isso mudou. Ele devolveu ao Executivo a medida provisória sobre instituições filantrópicas, candidatou-se a uma reeleição contestada judicialmente e comprou briga com a Câmara ao defender a emenda constitucional que cria 7.343 novos vereadores. O próprio Garibaldi está impressionado.
RÁPIDAS
* O deputado Ricardo Barros, presidente do PP no Paraná e vice-líder do governo na Câmara, está percorrendo os municípios de seu Estado e já anunciou que será candidato ao Senado em 2010. Quer ver como o governador Roberto Requião vai reagir.
* Presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia começa a se despedir da residência oficial no Lago Sul, que ocupou nos últimos dois anos. E faz um lamento aos assessores: "Minha passagem pela presidência vai terminar e nunca botei os pés na piscina dessa casa."
* Hugo Chávez está atacando moinhos de vento. Em decisão inédita na política internacional, o presidente da Venezuela terminou o ano com um ato digno de anedota: desapropriou um shopping center no centro de Caracas.
* Feliz 2009, o ano do boi no horóscopo chinês. As pessoas desse signo, como o ministro Guido Mantega, são meticulosas e dedicadas ao trabalho. Características que podem ser muito úteis nesses dias de crise econômica mundial.
A aposta do Bradesco
Titular do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, o economista Octavio de Barros acertou na bucha quase todas as decisões do Copom no ano que finda. Para janeiro, suas apostas já estão feitas. Ele acredita que, afastado o temor das pressões inflacionárias e com o arrefecimento da atividade econômica, o Banco Central vai reduzir as taxas de juros em 0,5 ponto percentual.
Pelos direitos humanos
Começará a ser veiculada uma campanha nacional sobre os 60 anos da assinatura da Declaração Universal dos Direitos Humanos. É obra do trabalho voluntário de publicitários, em convênio com o Conselho Nacional de Propaganda. O mote é: "Sem direitos, ninguém é humano por inteiro."
