Especial

Especial Perpectiva 2009
Pegadas verdes no planeta
As preocupações com o meio ambiente vencem modismos e afetações e mudam hábitos de pessoas e empresas, que passaram a incorporar um estilo sustentável de viver e trabalhar

  Verônica Mambrini
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O estudante de direito Rafael Poço, 22 anos, começou a pensar cedo no impacto de suas ações no meio ambiente. "Desde os 14 anos, leio sobre o tema. A primeira mudança foi parar de comer carne", diz Poço. O estudante foi incorporando soluções verdes por toda parte. No guardaroupa, destacam-se camisetas feitas de garrafas PET e calças de lona de caminhão reciclada. Na decoração, móveis usados ganharam vida nova depois de uma reforma. Na hora de se deslocar por São Paulo, Poço dá prioridade à bicicleta e ao transporte público, mas também usa o carro quando precisa. E faz questão de consumir produtos de empresas que fornecem o máximo possível de informações ao consumidor. "É possível fazer consumo sustentável, mas, como a demanda é pequena, quase não existe marketing ambiental dos produtos", afirma.

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"Pelo menos 33% dos brasileiros percebem os impactos coletivos ou de longo prazo nas decisões de consumo", diz Heloísa Torres de Mello, gerente de operações do Instituto Akatu, organização que estimula o consumo consciente. De acordo com uma pesquisa da instituição, o número de consumidores que no ano passado privilegiaram empresas com boas práticas socioambientais em suas decisões de compra cresceu 7%, em relação ao estudo anterior, de 2003.

"É uma tendência que veio para ficar", acredita a gerente do Akatu.

i84619.jpgDo ponto de vista empresarial, as soluções ecológicas faziam parte até agora das megacorporações, que muitas vezes as utilizaram como mera estratégia de marketing, ou de lojas muito pequenas, que atuavam num incipiente nicho de consumo. Mas a prova de que o modismo virou uma onda irreversível pode ser vista em atitudes do comércio de bairro. A rede de padarias paulista Dona Deôla, cerca de 430 litros de óleo de cozinha das quatro unidades. Eles agora viram sabão e detergente. "Temos mudado várias práticas, na tentativa de fazer nossa parte. Não dava para jogar o óleo direto no ralo, é um crime ambiental", diz Vera Helena, proprietária da Dona Deôla. Em setembro, a padaria lançou suas próprias ecobags.

SELO DE QUALIDADE Materiais ecológicos e reciclagem são pilares do consumo consciente

As 800 unidades vendidas em três meses já geraram redução de 20% no consumo de sacolas plásticas. Outra substituição quase invisível foi a troca dos jogos americanos de papel por versões em plástico reciclável, poupando o descarte de 150 mil folhas.

"Estamos estudando formas de reduzir o uso de materiais antiecológicos, como isopor, e utilizar biodegradáveis, por exemplo", diz Vera.

Um dos pilares da mudança no curto prazo é o aumento da reciclagem de materiais. "O uso de isopor, que tem uma reciclagem difícil, deve diminuir, assim como o uso de matérias- primas com substâncias tóxicas", diz Rafael Tannus, sócio da Agência Verde, consultoria socioambiental e em desenvolvimento sustentável. Tannus ressalta também o aumento de importância que selos de fair trade (comércio justo) devem ganhar. Esse tipo de certificação garante que as empresas mantenham boas práticas com o meio ambiente e com as comunidades ligadas à produção. "Selos assim já estão consolidados nos Estados Unidos e na Europa. No Brasil, deve crescer a demanda por produtos certificados nos próximos anos", afirma Tannus.

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