26/04/2000 - 10:00
Para esta edição, que marca a comemoração dos 500 anos do Brasil, ISTOÉ reuniu personalidades representativas das mais variadas áreas de atuação na vida brasileira. Interrompemos a festa e, antes que as 500 velinhas fossem assopradas, pedimos a elas que fizessem uma análise do aniversariante, de seu caráter, suas qualidades e seus defeitos, bem como dos motivos que nos levam a comemorar. O resultado, que começa na pág. 40 com o depoimento do presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, é uma importante radiografia, com seu respectivo diagnóstico, de um país potente, promissor, mas com defeitos congênitos e doenças crônicas.
Os elogios foram muitos e variados. Para Costanza Pascolato, o aniversariante é afável e simpático. Nascida na Itália, ela exalta a maneira como o País a recebeu e declara ter naturalizado seu coração. A atriz Fernanda Montenegro louva a força e a resistência do brasileiro. Viviane Senna acha que o povo tem a cara de seu irmão Ayrton. Tem postura e esbanja dedicação.
Se a precisão dessa radiografia mostra o lado saudável, ela também é implacável ao detectar nossas doenças. Para o ex-ministro e hoje deputado federal Delfim Netto, estamos desperdiçando a preciosa chance de participar de maneira menos submissa das benesses da globalização. O psiquiatra Roberto Gambini, com o homenageado no divã, diagnostica um complexo de inferioridade e uma crise aguda de insegurança quanto à capacidade de obter sucesso.
Mas o pior dos quadros vem da quase unanimidade em relação a dois graves males: a corrupção, que, como num processo de metástase, brota de todos os cantos do Brasil, e o crescente, resistente e vergonhoso abismo social.
Em seu relato, Fernando Henrique Cardoso defende ser este o momento de redescobrir o Brasil. Para ele, esta é a hora de vencer o oceano da pobreza, da fome e do atraso.
A radiografia ora apresentada pode ser útil.