26/04/2000 - 10:00
Já virou lugar-comum qualificar os pestinhas que infernizam as festas de aniversário de crianças hiperativas. O fato é que 5% da garotada tem, realmente, um distúrbio caracterizado por agitação e incapacidade de se concentrar. Trata-se do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). A surpresa aparece ao se constatar que metade desses pequenos leva o problema para o resto da vida. Agora, uma equipe de médicos do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (HC) de São Paulo fundou um ambulatório especialmente criado para tratar adultos com o mal. “Aqui, o paciente recebe medicamentos antidepressivos para controlar a inquietação e estimulantes para aumentar a atenção”, conta o psiquiatra Mario Louzã, coordenador do projeto. “Além disso, ele também participa de terapias de grupo.”
Geralmente, a hiperatividade é um distúrbio genético, provocado pelo desequilíbrio na quantidade de noradrenalina e dopamina, dois neurotransmissores (substâncias responsáveis pela comunicação entre os neurônios). “Porém, um ambiente estressante também pode desencadear essa disfunção na massa cinzenta”, informa o psiquiatra Ênio de Andrade, do Instituto de Psiquiatria do HC. Em alguns casos, o problema desaparece com o uso de drogas, ou até naturalmente após a adolescência. Mas em outros – em geral, nos casos mais graves – ele vai continuar incomodando na fase adulta. Daí, só é possível controlá-lo com remédios.
Segundo os especialistas, as pessoas com o transtorno podem ter dificuldades de terminar o que começaram. É o caso do gerente de exportação paranaense Cristiano Bromberg, 27 anos. Em 1997, por exemplo, ele retornou à faculdade de Administração. “Da primeira vez desisti porque estava achando chato”, diz. A busca por algo estimulante também o levou a praticar várias atividades, como judô, ginástica olímpica, trapézio, golfe, tai chi chuan e meditação. “Quando as coisas viram rotina, desisto delas”, conta o empresário. Hoje, ele acredita que conseguiu controlar sua hiperatividade com a ajuda especial do malabarismo e da arte de meditar. “Procuro canalizar minha energia para as coisas que me dão prazer”, ensina.
Como é o problema em gente grande
Para saber se o adulto é hiperativo, é necessário que ele tenha sentido na infância pelo menos seis dos sintomas indicados abaixo. E que ainda hoje conviva com alguns destes sinais por no mínimo um semestre
Os pacientes distraem-se facilmente e têm dificuldades para se concentrar.
Assim, cometem erros no trabalho
São desorganizados, esquecidos e impulsivos
Agitados e inquietos, não ficam parados por muito tempo
Têm mudanças bruscas de humor e entram facilmente em depressão
São volúveis nos relacionamentos afetivos
Falam excessivamente
Não completam as tarefas
Perdem com frequência os objetos