29/03/2000 - 10:00
Quem aprecia sabores exóticos pode aguçar o paladar. Diversas frutas de nomes diferentes, como o trio colombiano uchuva, pitaya e tamarillo, já frequentam as prateleiras dos supermercados e empórios finos em São Paulo, Rio de Janeiro e grandes capitais. A safra de novos sabores também coloca ao alcance das mãos – e da boca – delícias cultivadas no Brasil. A produção do mangostão, do figo-da-índia e do jambo-rosa, por exemplo, plantados no interior de São Paulo ou no Nordeste brasileiro, promete frutos até final de maio.
Pouco conhecidas, a maioria dessas frutas pode ser considerada artigo de luxo por causa do preço – uma dupla de deliciosas pitayas chega a custar cerca de R$ 9, enquanto se paga de R$ 2 a R$ 2,50 por um único e saboroso mangostão. Apesar de ser esta uma das frutas mais caras, é cada vez mais procurada nos supermercados e também nas feiras. Ainda é possível comprar frutas exóticas em caixas, por preços mais baixos, direto dos atacadistas.
Além dos sabores atraentes para receitas sofisticadas, essas frutas estão trazendo para o Brasil a ótima oportunidade de ingerir nutrientes de outras fontes. Afinal, nada melhor do que ter a chance de substituir de vez em quando a vitamina C da mesma e conhecida laranja pela vitamina C da curuba, fruta colombiana que também é rica em vitamina A. O nutriente contribui para a regeneração dos tecidos e fortalecimento do sistema de defesa do organismo. A curuba possui fósforo, mineral fundamental ao metabolismo dos ossos e dentes. Ou saborear uma granadilla, originária da Colômbia, para ajudar a suprir o organismo com o potássio necessário para manter a tonicidade muscular e a transmissão dos impulsos nervosos. Sem contar que, por serem frutas, todas apresentam quantidades significativas de fibras. E, como se sabe, fibras são imprescindíveis para o bom funcionamento do intestino, além de desempenharem papel importante no controle do colesterol.
Por isso, é bom apostar na variedade da fruteira. Quanto mais chance de alternar as frutas consumidas, melhor. Dentre todas as novidades, o figo-da-índia é a única fruta que exige cuidados especiais para consumo por causa dos espinhos invisíveis que revestem sua casca. Depois que penetram na pele, causam desconforto e precisam ser removidos com pinça. Por isso, é bom evitar segurá-lo sem proteção ou morder sua casca. Uma das técnicas para aproveitar o conteúdo da fruta sem problemas é espetá-la com um garfo e chamuscar no fogão para queimar os espinhos. Plantado no interior de São Paulo, o figo-da-índia começará a se tornar mais abundante nos mercados depois de maio. No México, acredita-se que tem poderes digestivos comparáveis aos do abacaxi.
Algumas dessas frutas chegaram ao Brasil muito antes do que se imagina. Trazida da Colômbia, a bela uchuva, ou physalis, veio em 1995, mas sua versatilidade ainda não foi totalmente explorada no Brasil. Por aqui, é saboreada crua, em sorvetes e sobremesas, mas no México é transformada em condimento e molhos. Na Austrália, vira uma conserva exportada para vários países. Mas é em Paris que se transforma em puro charme, vendida como mimo em restaurantes elegantes, coberta de chocolate. Já a amarela pitaya, cujo gosto pode lembrar uma mistura suave de pêra, kiwi e maracujá, também tem sabor de história – a fruta, conhecida desde o século XII, faz parte dos mitos de fundação da vila que deu origem à Cidade do México, em 1325. Muito refrescante, era comida pelos astecas para prevenir a desidratação por ser muito aquosa, o que qualifica a pitaya para o verão tupiniquim. “Criatividade e curiosidade são fundamentais para aproveitar os novos sabores”, orienta a nutricionista Carla Vieira, do Empório Santa Luzia, de São Paulo.