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Ofuscado temporariamente pelos milhares de mortos e pela destruição causada pelo tsunami do oceano Índico, o Haiti vai voltar ao foco das preocupações internacionais. Uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas, realizada na quarta-feira 12, definiu que, além de liberação progressiva dos recursos por parte dos países doadores e das organizações internacionais, o trabalho internacional no Haiti continuará e deverá ser baseado em três princípios: firmeza e serenidade no uso da força, desarmamento da população como um todo e desenvolvimento econômico e social. Segundo o chanceler brasileiro Celso Amorim, que foi um dos principais oradores da reunião, “há 200 anos, o Haiti vem sendo submetido a um tsunami econômico e social que causa, por exemplo, a morte de 30 mil crianças por ano, o índice de mortalidade infantil mais elevado do mundo”.

A posição brasileira terminou provocando um consenso de que a Minustah (a Força de Paz da ONU para o Haiti) deverá continuar, reforçada, naquele país caribenho no mínimo até as eleições previstas para novembro. O chanceler brasileiro destacou que os recursos, de um total prometido de US$ 1,2 bilhão, já começaram a ser liberados e que, no momento, o mais importante será criar mecanismos que viabilizem o bom uso do dinheiro. O Brasil já fechou três acordos diretos com o governo provisório do Haiti, destinando US$ 250 mil para projetos de agricultura familiar envolvendo o plantio e beneficiamento de mandioca e de castanhas de caju. Além disso, o país conseguiu um acordo inédito com o Banco Mundial, que vai liberar para o Haiti, através do Brasil, US$ 1 milhão para o fornecimento de merenda escolar a 35 mil crianças. “Essa é a primeira vez que o Banco Mundial dá recursos a um país em desenvolvimento para que este ajude outro país em desenvolvimento”, destacou Celso Amorim. O Banco Mundial e a União Européia também anunciaram liberação de recursos para as eleições, de acordo com relatório feito pelo representante no Haiti do secretário-geral Kofi Annan, o embaixador chileno Juan Gabriel Valdez.

O governo interino do Haiti foi também cobrado pela primeira-ministra de Bar-
bados, Binnie Miller, a garantir o respeito aos direitos humanos, a dar proteção
aos membros da oposição e a restaurar o respeito à lei. De qualquer modo, a reunião considerou que a presença internacional no Haiti deverá prosseguir, garantindo as futuras eleições e a reconstrução do país. Os membros do CS insistiram que o compromisso de longo prazo da comunidade internacional com
o Haiti terá que envolver de forma crescente o governo provisório e, especialmen-
te, o que sair vitorioso das eleições.