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O segundo maior rio do mundo, o Amazonas, e as duas mais importantes rodovias da região Norte do País, a Transamazônica (BR-230) e a Cuiabá–Santarém (BR-163), poderão ser bloqueados na semana que vem, num inédito megaprotesto de madeireiros e empresários contra o governo Lula. Cansados de esperar pelas demarcações do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e pelas liberações do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), sindicatos, prefeituras, políticos e posseiros da rica região sudoeste do Pará, responsável por 50% da produção de madeira do Estado, decidiram radicalizar para chamar a atenção de Brasília: vão fechar 30 pontos das estradas federais e interromper com toras a navegação do Amazonas na confluência do rio Tapajós, em Santarém, paralisando a principal via de comunicação entre Belém e Manaus.

“O governo Lula precisa mostrar se somos ou não importantes para o Brasil. Ele não nos mata nem nos deixa viver”, diz Aldir Scmitt, presidente da Associação das In-
dústrias Madeireiras de Santarém e Região. “O Ibama é como um tsunami. Por onde passa, não sobra nada. Destrói indústrias e está acabando, em nossa região, com 50 mil empregos, dos quais dependem 300 mil brasileiros”, afirma Luiz Carlos Tremonte, diretor do Sindicato da Indústria Madeireira do Sudoeste do Pará (Simas-
pa). Dono de uma madeireira em Itaituba, Tremonte vive um drama impensável no setor. Bloqueado pela burocracia, teve de comprar seis mil metros cúbicos de cedro no Estado vizinho, o Amazonas, para não abater os seus 800 empregados.

O cipoal de entraves produziu um nó na atividade econômica da região. Seis meses depois da posse de Lula, o Ibama suspendeu os Projetos de Manejo Florestal Sustentável (PMFS), porque o Incra não tinha feito o geo-referenciamento que definiria a posse de terras numa região marcada pela histórica ausência de titulação e conflitos fundiários. Por isso, dos 78 PMFS solicitados, só 19 foram liberados na região de Santarém, agravando a crise de matéria-prima que ameaça derrubar a atividade madeireira. “A instrução do Ibama é contrária aos interesses ambientais (…). Suspender esses projetos de manejo desprotege áreas de uma atividade econômica que preserva a floresta (…) que certamente se tornará vítima
do fogo, do desmatamento ou da exploração ilegal”, denuncia o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará, Danilo Remor, em carta enviada na quarta-feira 5 à ministra Marina Silva, do Meio Ambiente. Para resolver a crise, uma força-tarefa conjunta do Ibama e Incra programou uma reunião para Santarém
em 7 de dezembro. Nesse dia, porém, 70 agentes da PF detonaram a “Operação Faroeste” na Amazônia, prendendo 18 pessoas envolvidas com a grilagem de terras da União – e acabaram pegando na sua rede oito peixes do próprio Incra. O mais graúdo deles era o superintendente do órgão no Pará, José Roberto Faro. Com esse vexame, a força-tarefa se dissolveu, nada aconteceu e o problema do setor madeireiro só se agravou.