11/01/2006 - 10:00
Ele se chama Matheus de Almeida e tem dez anos de idade. Nasceu em Campo Grande no dia 1º de dezembro de 1995, e renasceu na Serra da Cantareira no dia 2 de janeiro de 2006. No renascimento trouxe vivo consigo o empresário Antonio Celso Cortez. Não quis o destino que ele trouxesse também o seu pai, Rodinei de Almeida. O pequeno grande homem Matheus estava com o pai e com o empresário Cortez a bordo do avião bimotor que caiu na Serra da Cantareira na segunda-feira 2. Eram oito e meia da manhã. Ele dormia e despertou com o avião sacolejando e uma mala pegando fogo vindo sobre a sua cabeça. Era a queda. Assim que o avião se espatifou, Matheus desatou o seu cinto de segurança e o empresário o empurrou para fora com o intuito de salvá-lo. Matheus rolou numa ribanceira, levantou e a escalou de volta, e foi então a sua vez de puxar para fora do avião o empresário que perdera os óculos e não enxerga absolutamente nada sem eles.
O melhor a fazer pelo pai, preso nas ferragens, era sair e buscar socorro. Por quase três horas, a coragem do menino de dez anos conduziu o adulto que não podia enxergar na mata coberta de neblina. Mathews conseguiu sair da mata e encontrou gente: “Tirem o meu pai do avião, ele está preso e o avião vai pegar fogo.” Não deu tempo. Quando na própria noite da segunda-feira deram-lhe a notícia, a expressão de seu rostinho sinalizou que ele já pressentira o pior. Pressentimento de um pequeno grande homem que fez, na tragédia, o melhor.
“Quando eu ouvia barulho de carros, eu corria no sentido deles, mas aí o barulho ia para outro lado. Na mata o barulho é diferente, tudo é diferente” Matheus de Almeida
