A história da vida na Terra parece estar ligada aos astros. Quanto mais os cientistas se debruçam sobre o passado geológico do planeta, mais eles descobrem como a colisão de asteróides, que altera a superfície do globo e provoca extinções em massa, foi importante para a formação dos seres vivos. Os humanos jamais teriam existido se, há cerca de 65 milhões de anos, um bólido não tivesse se chocado com o planeta, encerrando o reinado dos dinossauros e abrindo caminho
para a evolução dos mamíferos. Os próprios dinossauros não teriam aparecido sem um impacto semelhante, há 214 milhões de anos. Na semana passada, cientistas australianos reuniram as provas de que
uma chuva de meteoritos ainda mais antiga varreu a Terra há cerca
de 3,8 bilhões de anos, um pouco depois da formação do planeta,
há 4,5 bilhões de anos.

Já se suspeitava que, nessa ocasião, a Terra, Mercúrio, Vênus e Marte foram alvejados por meteoritos à solta no Sistema Solar. Basta olhar as crateras da Lua; grande parte do estrago foi causada nesse período. Para comprovar que o mesmo ocorreu na Terra, faltavam apenas os indícios. Agora eles foram apresentados na revista britânica Nature por Ronny Schoenberg e seus colegas da universidade australiana de Queensland. Fazendo escavações na Groenlândia e no Norte do Canadá, a equipe descobriu os primeiros resquícios desses meteoritos contendo traços de carbono, matéria-prima essencial para a formação de um ser vivo. A descoberta reforça a idéia de que esse bombardeio estimulou a formação de vida na Terra.

Ameaça real – Os asteróides não trazem só boas notícias. É cada vez maior a preocupação de que um corpo celeste de grandes dimensões volte a cair aqui. Eles colocam em xeque o destino dos seres humanos, da mesma forma que ocorreu com os dinossauros. “A ameaça é real, e existem grupos de pesquisadores tentando detectar o problema com antecedência”, comenta Amâncio Friaça, do Instituto de Astronomia e Geofísica da Universidade de São Paulo.

Um grupo de astrônomos americanos anunciou a data fatídica.
No dia 1º de fevereiro de 2019, um asteróide chamado 2002 NT 7
pode colidir com a Terra. O bólido, com cerca de dois quilômetros de diâmetro, ou três vezes a altura do Corcovado carioca, pode causar danos em escala continental.

Nos próximos meses, os pesquisadores estarão atentos à rota do asteróide, para avaliar com maior precisão os riscos de colisão. Se o choque for confirmado, a questão passa a ser como desviá-lo de sua rota. No cinema, essa manobra rendeu filmes de sucesso, como Impacto profundo e Armageddon, estrelado por Bruce Willis, ambos de 1998. Neles, a solução era detonar uma bomba nuclear para quebrar o asteróide em pedaços ou alterar sua rota para evitar o destino trágico.

Na vida real, as coisas são diferentes. Estima-se que uma explosão nuclear poderia aumentar o poder de destruição do asteróide, partindo-o em pedaços e aumentando sua área de impacto. Além dessa solução, existem outras propostas discutidas pela comunidade científica, como empurrar o asteróide para fora da trajetória ou pintá-lo de branco, cor que reflete o máximo de radiação.

A idéia de tingir o asteróide foi proposta por Joseph Spitale, da Universidade do Arizona. Segundo Spitale, ao se alterar a cor do objeto celeste, muda-se a sua temperatura e, aos poucos, sua trajetória. Há apenas um pequeno problema. Como diz Spitale, “se tentássemos isso em um asteróide de um quilômetro de diâmetro, precisaríamos de 100 anos para que sua rota se alterasse”. Se as chances de impacto se confirmarem para 2019, seu método, infelizmente, não surtirá resultado. Pelo menos não a tempo de evitar uma trombada cósmica.