04/07/2007 - 10:00
O "negão gordo e suburbano Serjão", como se apresenta o ator, músico, dançarino e "modelo" Sérgio Loroza, anda com a corda toda. Disparou a corda o seu talento humorístico interpretando o personagem Figueirinha no seriado A diarista. Mais: é contagiante o ritmo do que ele denomina MBP, ou seja, Música Brasileira de Pista, nome de seu primeiro CD, que está chegando às lojas. Somem-se a isso as estripulias que faz no quadro A Dança dos Famosos (Programa do Faustão) e sua surpreendente performance na passarela do Fashion Rio. Assim, não é sem motivo que ele venha sendo considerado o sucessor do comediante Bussunda (morreu no ano passado) e com seus 183 quilos (em 1,83m de altura) esteja conquistando a popularidade dada aos galãs. Aliás, falando em galã, é bom que fale o próprio Loroza: "Galã sou eu. O dia em que descobrirem a minha beleza, vão ficar sem entender nada, eu sou muito bonito." Contraponto dos momentos atuais de glória é a simplicidade com que ele se refere à sua origem humilde (subúrbio de Madureira) e o assédio de imprensa e fãs em nada o modificou. "É como se fosse um urso andando pela cidade, transmite uma sensibilidade incrível", diz a atriz Dira Paes.
Aos 40 anos e ex-estudante de química, Loroza quer provar que não é apenas um biotipo exótico mas, sim, um artista de verdade. Com o ator Paulo Autran, a quem tratava como mito, ele aprendeu justamente "que acreditar em mito é um grande erro e que um artista nunca deve se levar muito a sério". A lição virou regra e Loroza ri de si mesmo, o que o ajuda na dificuldade que tem para se fixar numa atividade: "Depois que fui músico e ator, eu queria ser dançarino e consegui. Aí falei que seria modelo e fui. Preciso sempre de novos desafios." Um deles foi desfilar no Fashion Rio com traje de orixá. O próximo, que aguarda com ansiedade, é ser o "príncipe de festa de debutantes".
Nem tudo é riso, no entanto, na cabeça e na vida do "negão Serjão": discriminação racial, por exemplo, rouba-lhe completamente o humor. Experimente lhe perguntar se existe racismo no Brasil. "Claro que não. Você não vê que os negros lotam as universidades, são protagonistas da maioria das novelas e governam o País?", diz ele. Loroza defende ações afirmativas como a adoção de cotas para afrodescendentes, mas ressalva que "não dá para esperar 50 anos para isso surtir efeito". Voltando a não se levar a sério, fala com a mais profunda seriedade – característica, aliás, que acompanha os bons comediantes: "Um dia desses, em um camarim, sumiu um celular e as pessoas não olharam para mim como suspeito. Achei muito estranho. Espero que não esteja ficando branco. Um gordo branco não teria a mesma graça".

