Erasmo Carlos, o ex-Tremendão da jovem guarda mas ainda um dos melhores cantores e compositores do País, recuperou a letra de uma composição que fez em parceria com o rei Roberto Carlos e que a censura dos anos de chumbo (em 1971) fez questão de engavetar. A música se chama Editora Maio, bom dia.

Trecho da letra: “A manchete da capa vai ser pra valer/se alguém vai sofrer, não queremos saber/interessa é a mentira que o povo vai ler/esse é o nosso mundo cão/festival de opinião/e a tiragem aumentando”

• Porão da ALN A Ação Libertadora Nacional (ALN), grupo armado liderado por Carlos Marighella e que combatia a ditadura militar, executou com 21 tiros um integrante de suas próprias fileiras porque achou que ele era traidor. O assassinado foi julgado sumariamente (os chamados tribunais populares itinerantes), era inocente e nunca forneceu uma informação sequer ao aparato do porão repressivo. O nome do inocente é Carlos Alberto Maciel Cardoso e sua inocência é agora comprovada através de documentos da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). É moralmente justo e historicamente salutar que se traga à luz os crimes dos torturadores. Mas a esquerda também tem o dever de passar a limpo o seu próprio porão. Ao longo do regime militar houve 30 casos de justiçamento entre os militantes armados. Entre a própria cúpula da ALN havia ciumeira e disputa política e alguns de seus membros foram falsamente acusados de colaboracionismo enquanto estavam presos e seguravam com a boca fechada a barra da tortura. Alguns ex-integrantes do PT que o digam.