04/07/2007 - 10:00
Com a voz embargada e entrecortada por lágrimas, o senador Joaquim Roriz foi à tribuna do Senado na quintafeira 28 para se defender da acusação de ter recebido irregularmente uma quantia de R$ 300 mil, reafirmando que o dinheiro fora um empréstimo para o pagamento de uma novilha que seria usada para negócios de sua empresa de gado. O exgovernador do Distrito Federal preferiu criticar a imprensa: “A imprensa quando quer destrói, massacra. Veja o que está acontecendo com o nosso presidente do Senado, Renan Calheiros. Será que é justo tanta maldade com um homem que tem relevantes serviços prestados ao País e a Alagoas?”, perguntou Roriz.
Dias atrás, quando o MP deflagrou a Operação Aquarela e prendeu 20 figurões do governo local, como Tarcísio Franklin de Moura, ex-presidente do Banco de Brasília, apareceu uma gravação na qual Joaquim Roriz combinava com Tarcísio sacar dinheiro do banco e rateá-lo no escritório de Nenén Constantino, o dono da Gol. De lá, sugeriu Tarcísio, “cada um sai com o seu”.Roriz vem se explicando com uma história tortuosa. Segundo o senador, Constantino teria vendido uma fazenda na Bahia, sacado um cheque de R$ 2,02 milhões no Banco de Brasília e, na seqüência, teria lhe emprestado R$ 300 mil para que comprasse uma novilha. “Ora, ao afirmar que o dinheiro do resgate do cheque estava destinado a várias pessoas, queria ressaltar que o dinheiro não deveria ser destinado a uma única pessoa”. O problema da versão de Roriz é que há fatos que não batem. Para começar, a tal fazenda de Constantino foi vendida em 2003. O mais curioso é que, até a noite da quinta- feira 27, a diretoria do Banco de Brasília não havia encontrado qualquer vestígio do tal cheque citado na conversa entre Tarcísio e Roriz. Suspeita- se, portanto, que os dois tenham usado o termo “cheque” como metáfora.