O senador Antônio Carlos Magalhães (DEM-BA) começou sua segunda semana de internação no Instituto do Coração (Incor), em São Paulo, bastante otimista. Manifestava aos médicos, familiares e políticos que o visitavam o desejo de voltar a Brasília e à Bahia, ainda que posteriormente precisasse retornar ao hospital. O otimismo tinha uma explicação. Na terça-feira 26, embora a equipe médica definisse como “grave” o seu estado clínico, ACM caminhava pelo corredor do quarto andar do Incor e chegou a fazer fisioterapia, enquanto acompanhava pela televisão o desenrolar da crise no Senado. Logo depois da internação, o senador passou a ser submetido a sessões diárias de diálise em razão do mau funcionamento dos rins. Na quarta-feira 27, contudo, uma convulsão reduziu a esperança de ACM de voltar a Brasília imediatamente. O político baiano está consciente, conversa normalmente com médicos e familiares e não deixa de atender o telefone diversas vezes por dia, mas, segundo um enfermeiro que o assiste diretamente, ele se alimenta somente por via intravenosa e o coração trabalha com apenas 30% de sua capacidade. Esse quadro agrava ainda mais a diabete do senador.

Atendendo à solicitação da família Magalhães, oficialmente o Incor não divulga boletins médicos. No quarto andar do hospital, seguranças particulares se juntam aos funcionários do instituto para impedir que pessoas não autorizadas se aproximem da ala onde ACM está internado. A equipe médica comandada pelo cardiologista Roberto Calil, e composta pelos nefrologistas Paulo Ayrosa Galvão e Luis Yu e pelo pneumologista José Otávio Auler, não está autorizada a passar informações à imprensa. “Só posso dizer que a situação é muito grave”, disse um dos enfermeiros a ISTOÉ. Desde a quinta-feira 21, quando o governador José Serra o visitou, apenas familiares e a equipe do hospital têm contato direto com o senador. Até a sexta-feira 29, a família nutria a esperança de que ACM pudesse estar na Bahia em 2 de julho – o feriado que os baianos comemoram como a sua independência –, mas na equipe médica não há previsão de alta.

Há 18 anos o senador convive com uma deficiência cardíaca crônica. Em 1989, com praticamente um terço do coração necrosado depois de um infarto agudo do miocárdio, Antônio Carlos se submeteu a mais de 14 horas de cirurgia para a implantação de duas pontes de safena e duas mamárias, além de sofrer um enxerto de membrana bovina para a reconstituição do coração. Durante o procedimento, o cardiologista Adib Jatene chegou a duvidar que a operação pudesse dar certo. Anos atrás, ACM chorou ao ouvir de Jatene um relato sobre o episódio.

Em 2007, ACM foi internado outras duas vezes. Em março, ele ficou no Incor para tratamento de pneumonia e, em abril, para cuidar da insuficiência cardíaca e renal. Em maio, chegou a desmaiar na porta de seu gabinete no Senado, submeteu-se a exames, mas não precisou ser hospitalizado. Depois de se manter no poder por 50 anos, o velho coronel de 1,71 metro de altura, que já pesou 120 quilos, trava agora a mais difícil batalha de sua vida.

Saúde frágil
1989 Em março, depois de um grave infarto, ACM recebe duas pontes de safena e duas mamárias. Tem 15% do músculo do coração substituído por membrana bovina
1991 O senador é hospitalizado em Londres, onde se submete a cirurgia para a retirada de três cálculos renais
1999 Antônio Carlos se submete a uma nova cirurgia cardíaca e recebe duas pontes de safena
2007 Em março, uma pneumonia o leva ao Incor. Em abril, ACM é internado novamente por problemas de insuficiência cardíaca e renal. Em junho, é internado outra vez no Incor por causa do agravamento de problemas renais e circulatórios