11/01/2006 - 10:00
O fantasma da violência parece aos poucos reduzir sua força no país de Gabriel García Márquez. As taxas de mortes violentas na capital da Colômbia, Bogotá, caíram 68,6 pontos porcentuais nos últimos 12 anos, enquanto a população de 7,3 milhões ganhou mais de 200 mil habitantes. Segundo Irvin Pérez Muñoz, diretor de Logística Turística de Cartagena, é a primeira vez que o governo trabalha seriamente a segurança: “São ações que mudam a imagem do país”, acredita. Bogotá oferece excelentes museus, além da noite caliente na zona T, um calçadão com gente bonita e simpáticos bares e restaurantes.
Colorido – Os 79 mil ambulantes que ocupavam as ruas da capital se mudaram para centros comerciais populares: “Fizemos um acordo e eles saíram voluntariamente”, explica Andres Restrepo, subsecretário de Convivência e Segurança Cidadã de Bogotá. E a Colômbia reconquista uma fatia de visitantes internacionais. O realismo mágico de García Márquez está nas ruas, no forte colorido das frutas, da exuberante natureza e do artesanato. As figuras obesas de Fernando Botero, pintor colombiano de projeção internacional, são vistas em reproduções ou em obras autênticas que enfeitam parques e praças. O Museu Botero fica em um bairro boêmio de Bogotá, com universidades, teatros e galerias de arte. Reúne 80 pinturas e esculturas na imponente sede da Biblioteca Luis Ángel Arango.
Outro ponto forte é a ourivesaria, que pode ser conferida no Museu do Ouro. A
técnica foi desenvolvida pelas aldeias indígenas desde 550 a.C., graças aos excedentes de alimentos que liberavam a mão-de-obra da agricultura para criar
os objetos que reforçavam o prestígio dos caciques. Na sala de oferendas, os visitantes entram no espaço escuro e ficam impactados com a luz que pouco a
pouco se projeta sobre 180 graus de peças de ouro. É uma viagem pela atmosfera xamânica dos povos ancestrais.
A cidade por onde os espanhóis começaram a colonização foi Cartagena de Índias, porto de onde saíam ouro, prata e pedras preciosas rumo aos palácios e igrejas da Espanha. É ali que se concentram os mais heróicos episódios da cultura do país, como a resistência de 105 dias dos habitantes à tentativa da Espanha de retomar a cidade, cinco anos após a declaração de independência, em 1811. Sua maior atração foi construída entre 1586 e 1798 pelos escravos: 11 quilômetros de muralha ao redor do antigo povoado indígena, com casas do século XVIII, belos exemplares da arquitetura espanhola com varandas de madeira e pátios internos arborizados. Hoje a cidade amuralhada – que em 1985 alçou Cartagena a Patrimônio da Humanidade – é recheada de bares, restaurantes e lojas sofisticadas.
ISTOÉ viajou a convite do Escritório Comercial do Governo da Colômbia em São Paulo