11/01/2006 - 10:00
"As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental”. A controversa máxima do poeta Vinícius de Moraes ganhou adeptos, quem diria, lá em terras britânicas. O tablóide The Sun (o mais vendido do Reino Unido) publicou na terça-feira 3 denúncias de que funcionários do principal centro de imigração da Inglaterra, o Lunar House, no bairro londrino de Croydon, estariam concedendo vistos de permanência no país em troca de favores sexuais. As imigrantes bonitas que fossem para a cama com funcionários ganhavam a chancela de permanência. “Eu dei a ela mais do que uma extensão do visto, se é que você me entende”, teria dito um empregado da repartição a Anthony Pamnani, ex-funcionário do Lunar House e autor da denúncia. Já as imigrantes feias ganhavam, além da recusa no visto, uma bela dose de escárnio. Suas fotos eram coladas nas paredes acompanhadas de comentários jocosos do tipo “ela é horrível, vamos mandá-la de volta de qualquer maneira”.
Brasileiras – E a fama internacional de beleza das mulheres brasileiras, de acordo com Pamnani, era mais do que justificada. Às brasileiras, “as mais bem-tratadas”, bastava se debruçar um pouco sobre o balcão para conseguir um período maior de permanência. “Se viessem juntos um homem e uma mulher do Brasil tentando estender o visto, ele conseguiria um ano e a mulher, dois. Mesmo se ambos tivessem a mesma documentação”, afirma Pamnani. Ele ainda denuncia que era mais do que comum ver colegas fornecendo números de telefones para as imigrantes – só às atraentes, é claro.
Além do peculiar critério na distribuição dos vistos, o ex-funcionário também alega falhas de segurança na fiscalização das documentações e discriminação na concessão da permanência. Segundo ele, dados sobre o imigrante não eram corretamente checados (como antecedentes criminais e mandados de prisão em outros países) por pura preguiça dos funcionários de se deslocar até outro computador. Isso tornaria mais fácil a entrada de potenciais terroristas no território britânico. E não é só. Havia ordens superiores para que fosse restringida a entrada de cidadãos procedentes da Índia (ex-colônia de Sua Majestade britânica) e facilitada a dos imigrantes do Leste Europeu.
O Ministério do Interior reagiu com indignação ao mais novo escândalo sexual britânico, agora envolvendo o Lunar House (que recebe mais de 300 mil pedidos por ano), e seus responsáveis prometeram abrir investigações internas. “As denúncias são sérias e eu, obviamente, não aprovo esse tipo de conduta”, afirmou o ministro do Interior, Tony McNulty. “Mas eu tenho inteira confiança que a nossa equipe desempenha suas funções com profissionalismo e integridade”, completou.