Pela primeira vez na história, um homem sozinho tentará dar a volta ao mundo em um avião, sem paradas para reabastecimento e com alguns poucos períodos de sono. O escolhido para a façanha é o sexagenário Steve Fossett, milionário americano obcecado por recordes. Ele é o que se poderia chamar de aventureiro profissional. Entre outras peripécias, já cruzou o Canal da Mancha a nado e participou da IronMan, uma das mais exigentes provas de triatlo. Voltas ao mundo, ele já completou várias: a bordo de veleiros, aviões e balões. Foi de balão, aliás, que em 2001 Fossett mudou a rotina da cidade gaúcha de Bagé ao fazer um pouso forçado. A travessia deu certo na sexta tentativa, em 2002. Dessa vez, sua aventura começa na cidade de Salina, no Estado americano do Kansas. O lançamento do projeto, batizado de Virgin Atlantic GlobalFlyer, foi adiado diversas vezes, mas deve acontecer, dependendo das condições meteorológicas, entre os dias 9 e 11 deste mês.

O tempo para cumprir a viagem de 40 mil quilômetros é bem menor do que
os 80 dias previstos pelo escritor francês Júlio Verne. Fossett deve cruzar
o globo em 80 horas. Mesmo com piloto automático, ele só pode tirar sonecas
de dez a 15 minutos, já que precisa monitorar o aparelho. O dono da Virgin Atlantic e piloto-reserva Richard Branson, que estará num avião de apoio, terá a missão extra de manter Fossett acordado.

O avião GlobalFlyer foi pago pela inglesa Virgin Atlantic e construído especialmente para o desafio pela Scaled Composites – empresa californiana responsável pela SpaceShipOne, o primeiro avião civil a romper a atmosfera terrestre, em outubro passado. O Voyager, um avião da equipe do engenheiro Burt Rutan, principal executivo da Scaled, serviu como modelo e foi a primeira aeronave a dar a volta ao mundo sem parar, em 1986, sob o comando de uma dupla de pilotos.

A GlobalFlyer voará a uma altitude de 14 a 16 quilômetros, à velocidade máxima de 440 quilômetros por hora. Dentro da cabine de dois metros, a pressão será equivalente a três mil metros de altitude. O avião deve sobrevoar Montreal, Londres, Paris, Roma, Cairo, Karachi, Xangai, Tóquio, Honolulu, Los Angeles e Chicago. Para completar o roteiro, ele conta com o vento, que pode chegar a 180 quilômetros por hora. Se tudo der certo, Fossett pode quebrar entre três e sete recordes mundiais. Seu objetivo é conseguir o registro da jornada na Federação Aeronáutica International (FAI), entidade francesa que monitora regras e recordes nos ares. Para a FAI, uma volta ao mundo deve ter pelo menos 36.787 quilômetros – distância equivalente à linha imaginária do Trópico de Câncer – e começar e terminar no mesmo aeroporto.