Com 1,3 bilhão de habitantes, um quinto da população mundial, a China só conta com números astronômicos na contabilidade. Desde que começou a abertura econômica, há 25 anos, suas exportações cresceram mais de 20 vezes. Parceiro cortejado nas grandes transações internacionais, o gigante oriental também vem intensificando seu relacionamento comercial com o Brasil, fenômeno que se reflete no cotidiano da sociedade. Os negócios entre os dois países, que somavam US$ 2,3 bilhões em 2000, atingiram US$ 6 bilhões três anos depois e em 2004 ultrapassaram a marca dos US$ 10 bilhões. O embaixador do Brasil em Beijing, Luiz Antônio Castro Neves, analisa com entusiasmo o resultado, que acaba de ser fechado. “Os negócios com a China foram responsáveis por 0,8% do crescimento brasileiro”, afirma Castro Neves. “Se não fossem essas transações, o PIB teria caído.”

Castro Neves assumiu o posto em setembro passado. À época, os diplomatas na China eram seis. Em breve, serão 14. A expectativa do governo brasileiro é que o volume das transações bilaterais duplique em três anos. Grandes empresas, como Embraer, Embraco, Sadia e Vale do Rio Doce, já se instalaram na China. Empresas de menor porte também começam a se beneficiar da movimentação, como as indústrias cearenses de couro e de granito. “O incremento das exportações do Ceará para a China foi de 260,6% entre janeiro e novembro de 2004”, diz Cid Marconi, da Câmara de Comércio Brasil-China no Estado. “No geral, o aumento das exportações brasileiras no período foi de 18,8%.”

A movimentação da economia, como era de esperar, mexe com a vida das
pessoas. Até um time de futebol, o São Paulo, está marcando presença
no campo chinês. Estima-se que a colônia brasileira na China seja de três mil pessoas, a maioria gaúchos vinculados à indústria de calçados. O fluxo também ocorre no sentido oposto. Hoje, o Brasil soma cerca de 190 mil chineses e descendentes. Os primeiros chegaram em 1812 para trabalhar em plantações experimentais de chá, no Rio de Janeiro. Os que chegam agora trazem tecnologia de ponta. O Brasil, ao contrário, exporta basicamente matéria-prima, como soja e minério de ferro. “A bola está no campo brasileiro, mas temos de correr atrás, temos de ser competitivos”, reconhece o embaixador Castro Neves. De fato, no comércio internacional ninguém dá moleza. Na hora do vamos ver, negócio da China significa negócio bom para chinês.