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Os fantasmas que a Itália tenta ignorar de seu passado fascista na primeira metade do século XX e do terrorismo sangrento dos anos 1970 são a matéria-prima que a escritora italiana Francesca Marciano utiliza no livro Casa rossa (Record, 363 págs.,
R$ 43,90). Curiosamente, como explica nota da tradutora Luciana Villas-Boas, um livro que tem dois originais, um em inglês e outro em italiano, sem que se trate de mera tradução.

A história que permeia Casa rossa é o desmantelamento de uma velha mansão, acompanhada de perto por uma das três remanescentes da família que por três gerações viu as paixões destruírem não apenas o frágil tecido doméstico, mas também a própria estrutura de uma Itália envergonhada. Décadas depois dos vexames históricos, o país não mais quer saber dos que ainda guardam na me-
mória e na alma as marcas dos tempos difíceis.

Ao desmontar a casa quase em ruínas, a protagonista recupera a história de sua família, que está prestes a cristalizar em um roteiro cinematográfico de modo a encerrar na ficção a verdade sempre oculta no silêncio dos quartos familiares. Embora custe a prender o leitor no primeiro momento, Casa rossa acaba por impor seu ritmo e suas inquietações, à medida que estabelece um vínculo irremediável com uma realidade incômoda que a história tentou ocultar.