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No auge do chamado britpop, a ruidosa disputa entre Blur e Oasis abafou os ouvidos para a fina música do Tindersticks, banda de rock austera, de sotaque literário, pouco preocupada em frequentar os primeiros lugares das paradas de sucesso. Passado o barulho, fica clara a distância entre o sexteto de Notthingham e as modas passageiras do novidadeiro cenário inglês. Em seu sexto trabalho de estúdio, o viciante Waiting for the moon, o grupo se confirma mais uma vez como uma autêntica avis rara do rock, algo semelhante ao que foi no passado o nova-iorquino Velvet Underground e o britânico Echo and the Bunnymen.

Poucos grupos pop se arriscariam a gravar uma música como 4.48 psychosis, cuja letra, totalmente falada, foi extraída de uma contundente passagem da peça homônima e póstuma da suicida Sarah Kane. Ou, então, começar uma canção de amor como Until the morning comes com os assustadores versos “Tenho as mãos no seu pescoço/ Se eu te matar agora/ Ninguém vai ficar sabendo”. Ornamentada por cordas envolventes, a música remete ao estilo do trovador canadense Leonard Cohen. No álbum anterior, o extraordinário Can our love…, a fonte era a soul music de Curtis Mayfield. Neste, o vocalista Stuart Staples flerta com o country, entregando sua voz grave a narrativas impregnadas de sentimento de perda, caso de My oblivion, sobre amor e esquecimento. Não trouxesse mais nove de igual qualidade, só por ela o disco já mereceria lugar em qualquer discoteca.