19/01/2005 - 10:00

São pessoas com uma vida interior intensa. Que olham e vêem e pensam e se envaidecem e se decepcionam e se comunicam. São esses os personagens dos livros de Edla van Steen, caso do recém-lançado A ira das águas (Global, 224 págs., R$ 34), composto por contos curtos, excetuando-se aquele que dá título ao volume. No texto de abertura, Mãe e filho a escritora aborda um caso semelhante ao do filme Simples como amar, estrelado por Giovani Ribisi e Juliette Lewis, em que dois jovens considerados limítrofes se dão ao direito de amar, para a surpresa da mãe do garoto. De fato, a narrativa é pontuada por surpresas, segredos e resignação, constatações que modificam a maneira de ver e por vezes cursos de vida. São amantes que retornam, paternidades reveladas, descobertas inesperadas, silêncios e diálogos.
Edla é uma escritora, tradutora, editora e dramaturga premiada, além de cantora bissexta. Nos anos 1980, lançou pela L&PM Viver & escrever, dois volumes reunindo entrevistas reveladoras com autores nacionais, nos moldes da Paris Review, considerados referência para quem quer acompanhar a literatura brasileira. Com uma carreira de mais de três décadas, ela escreve com a autoridade que lhe foi conferida pela experiência e a sensibilidade, sem incorrer em modismos, novidades ou concessões de classe. Publica para ser lida, firma e cumpre um pacto com o leitor, algo raro nos dias de hoje.
