19/01/2005 - 10:00

No início de mais uma temporada do Big Brother Brasil, na Globo, chega às livrarias Telemorfose (Ed. Mauad, 66 págs., R$ 23), no qual o sociólogo francês Jean Baudrillard faz uma interessante análise crítica sobre reality shows, esses programas televisivos cheios de clichês e banalidades que assolam as emissoras do mundo inteiro sob títulos como Loft story – a versão francesa do BBB –, Casa dos artistas, etc. Têm como elo mostrar “um cotidiano desprovido de maior sentido, com uma espécie de grau zero de valor ético”, segundo o pensador francês. No prefácio, Muniz Sodré diz que a “telemorfose de que fala Baudrillard tem ação global e é a elevação de toda uma sociedade ao estágio paródico de uma farsa integral, de um retorno-imagem implacável sobre sua própria realidade.”
O autor também analisa o livro autobiográfico A vida sexual de Catherine M., de Catherine Millet, e faz um paralelo entre esses dois tipos de exposição pública. Conclui que, ao contrário do que se supõe, essas pessoas não querem aparecer e, sim, desaparecer. “No fundo, tudo isso corresponde ao direito e ao desejo imprescritíveis de não ser Nada e de ser olhado enquanto tal. Fazer-se nulo é a última proteção contra a necessidade de existir e a obrigação de ser si mesmo.” O sucesso desses programas-bobagem seria, ao mesmo tempo, o espelho e o desastre da sociedade que corre para a insignificância e fica “embasbacada frente à sua própria banalidade.”
