Em 1963, a poucos meses da decretação do bloqueio naval contra Cuba na célebre crise dos mísseis russos, uma delegação de cineastas soviéticos desembarcou na ilha. Sua finalidade, nada modesta, era produzir um retrato da revolução cubana. Após 14 meses de filmagens, Soy Cuba passou uma ou duas vezes em Moscou e em Havana ficando arquivado até a virada dos anos 1990, quando foi redescoberto e restaurado pelos diretores americanos Martin Scorsese e Francis Ford Coppola sob aclamação mundial. O brasileiro Vicente Ferraz investigou o porquê dessa reavaliação e entrevistou os sobreviventes. Para ele, e para muitos, o diretor Mikhail Kalatozov e o fotógrafo Sergei Urusevsky produziram uma obra-prima sobre o roteiro do compatriota Yevgeny Yevtushenko e do cubano Enrique Pineda Barnet. Os planos-seqüência do funeral, do edifício e da repressão estudantil, são definitivos. Logo, o que mudou foram os homens. Não perca.