Nada (ou muito pouco) de economia

A imprensa noticiou que o presidente Lula recebeu na quarta-feira 4, no Planalto, o deputado Delfim Netto (PMDB-SP), ex-todo-poderoso da Economia nos governos Médici e Figueiredo. Não é grande novidade, porque Delfim já se tornou um interlocutor freqüente de Lula. Ele saiu de lá dizendo que conversou com o presidente apenas sobre economia. E que Lula previu uma taxa de crescimento próxima de 5%. Também não havia novidade alguma nessa versão. O que Delfim, Lula e o Planalto esconderam foi o verdadeiro teor da conversa. Pouco se falou de economia. O presidente chamou ao Palácio menos o ex-ministro da Fazenda e mais a velha raposa política do Congresso. Daí o deputado ter sido acompanhado pelo coordenador político do governo, ministro Jaques Wagner. Lula queria ouvir Delfim sobre a possibilidade de trazer os peemedebistas para sua chapa à reeleição em 2006. Não teve um relato otimista, mas um pragmatismo que lhe bastou: o PMDB não vem inteiro. No entanto, é forte a chance de manter uma parcela amarrada à sua reeleição, mesmo que o partido tenha seu próprio candidato em 2006.

 
 

Menos o economista

Na conversa com o deputado Delfim Netto (foto), Lula também queria falar menos com o economista e mais com o representante de uma parcela do empresariado paulista no Congresso. Lula quer vender o seguinte peixe: é dos candidatos do establishment o único que fala direto com o povão. Em condições de abafar o risco de uma candidatura populista, pavor de banqueiros e empresários.

 
 
Calendário a favor de Lula

O PFL já está tendo que preparar suas inserções gratuitas que vão ao ar na tevê e no rádio entre 7 e 23 de março, assim como o programa do partido do dia 15 de junho. Sem candidato próprio e sem a definição da candidatura Lula, o partido resolveu bater no governo. Mas não vai incensar nenhum nome específico nem centrar os ataques na figura do presidente.

 
 
O risco Cristovam

Pouca coisa irrita mais Lula do que a candidatura do senador Cristovam Buarque (foto) a presidente pelo PDT. Não porque ache que Cristovam tem chances, mas porque sua presença servirá para desconstruir a propaganda sobre avanços na Educação. Ex-ministro da área de Lula, Cristovam denuncia que o Fundeb, por exemplo, ficou dois anos na mesa do presidente antes de ser enviado ao Congresso.

 
 
O dilema de Palocci

O ministro da Fazenda começa o ano com um decreto para assinar, sobre sua mesa, aumentando o capital dos Correios de R$ 1,1 bilhão para R$ 1,8 bilhão. Resultado do lucro obtido pela empresa durante o último triênio do governo FHC. Os tucanos esperam ansiosos a notícia para usar na campanha.

 
 
Rápidas

• O ano começa no Congresso com as disputas pelas vagas de líder dos partidos. Na oposição, os nomes do PSDB e do PFL estão acertados. A encrenca será nos partidos governistas: PT e PMDB.

• O ministro da Saúde, Saraiva Felipe, vai deixar o governo e segue direto para a oposição. Ele fechou aliança do PMDB em Minas Gerais com o PSDB de Aécio Neves. Quer ser vice na reeleição do governador. Com Itamar Franco para o Senado.

• Até abril, o presidente Lula indicará três novos ministros para o Supremo Tribunal Federal. Saem Nelson Jobim, por vontade própria, e – por conta da aposentadoria compulsória aos 75 anos – os ministros Carlos Veloso e Sepúlveda Pertence.

• Proprietário do extinto Banco Bamerindus, o ex-ministro José Eduardo Andrade Vieira pode voltar a ser banqueiro. Mas não no Brasil. Trabalha com afinco para se reeguer na Bolívia do cocaleiro e recém-eleito presidente Evo Morales.

• Ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento não trata da Operação Tapa-buracos entre 18h e 19h, seja qual for o dia da semana. Nessa hora, fecha o gabinete para assistir à novela Alma gêmea.