Imagine um marido traído e irado querendo saber detalhes das aventuras sexuais da mulher. Junte à lavação de roupa suja as respostas da moça, que não economiza franqueza. Agora troque o par em crise por Julia Roberts e Clive Owen. É exatamente isso o que acontece em Perto demais (Closer, Estados Unidos, 2004), de Mike Nichols, em cartaz nacional na sexta-feira 21, sobre um atípico swing nos mais sofisticados recantos de Londres. Julia é Anna, fotógrafa americana; Owen é Larry, dermatologista inglês. O outro par é vivido por Jude Law, no papel de Dan, redator de obituários com pretensões a escritor, e Natalie Portman, que encarna Alice, stripper americana que vai para Londres esquecer uma “paixão”.

O início é ótimo. Dan e Alice flertam na rua e ela acaba atropelada ao esquecer que o tráfego londrino tem sentido contrário. Corte. Vê-se Dan no estúdio de Anna, numa sessão de fotos para a capa do livro que escreveu sobre a vida da namorada Alice. Eles se beijam. Outro corte. Num chat erótico, Dan simula ser a fotógrafa e marca um encontro com o lúbrico Larry. No local indicado, o médico encontra Anna. Em seguida, são vistos como marido e mulher. É quando começa a troca de casais num jogo involuntário de traições e vinganças. Basta, contudo, aflorarem as cenas de ciúme e de perversidade para o filme cair num falatório artificial. Baseado numa peça de sucesso, a história pode funcionar nos palcos. Mas, no cinema, mostra-se uma tortura pior que briga de vizinhos. Mesmo se embalado pelas doces canções de Bebel Gilberto, presentes na trilha sonora.