Eleições e crise na Argentina
Foi o próprio Fernando Henrique Cardoso quem acendeu a luz amarela: determinou a seus assessores que todo o esforço político do governo neste final de ano seja voltado para a área econômica. A idéia é fazer o possível e o impossível para reforçar a imagem de que a situação econômica do Brasil está desatrelada da Argentina. E qual a consequência eleitoral disso? Na avaliação do Palácio do Planalto, a crise na Argentina pode até ser útil em 2002. Se FHC e equipe conseguirem administrar a economia por aqui a contento, os marqueteiros governistas deverão explorar ao máximo a idéia de que a esquerda – especialmente o PT de Luiz Inácio Lula da Silva – não teria condições de superar situações como esta. Mais: que a Argentina entrou em parafuso justamente porque não tinha um governo capaz de unir os diversos setores da sociedade. E que, por aqui, quem reúne as melhores condições para dialogar à esquerda e à direita é justamente a social-democracia de FHC e do tucanato.

Um fax para três empresas
O Ministério Público Federal está investigando um contrato suspeito assinado pela Imprensa Nacional em agosto deste ano, no valor de R$ 894 mil, com a empresa de informática Tera Brasil Ltda. A dispensa de licitação chamou a atenção até do ministro Pedro Parente. Na consulta ao mercado feita pela direção da autarquia que edita o Diário Oficial, as três participantes – a própria Tera, a Mídia 3 e a Top Systems – enviaram suas propostas do mesmo número de fax, num escritório no Rio de Janeiro, e com intervalo de minutos entre uma e outra mensagem.

Tucano sem reeleição
Líder do governo no Senado, o tucano Artur da Távola, que uma vez chegou a sair do PSDB por se sentir desprestigiado no governo, pode novamente entrar em crise. É que ele acaba de tomar mais uma rasteira do ex-governador do Rio Marcello Alencar. Dono do PSDB no Estado, Alencar decidiu que será candidato único do partido ao Senado. Em outras palavras: pela legenda, Távola agora só pode concorrer a deputado federal.

Às falas
Gerou um grande mal-estar no governo a última jogada de Tasso Jereissati, retirando-se da disputa no PSDB pela candidatura a presidente com um ultimato a José Serra. É que Tasso tomou a decisão em uma reunião da qual participaram o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Arthur Virgílio Netto, e o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga. Os serristas sopraram no ouvido de FHC: ministros não podem promover armadilhas contra aquele que foi ungido pelo presidente como seu candidato.

Tríplice função
Os diretores petistas da Previ estão de olho em Luiz Otávio da Motta Veiga. Trata-se do presidente do Conselho da Brasil-Telecom, ex-estatal da qual o fundo de pensão do Banco do Brasil é um dos maiores acionistas. É que Luiz Otávio ganha três tipos de salários da empresa: como presidente do conselho, como consultor jurídico e como intermediário nos contratos de listas telefônicas.

Rápidas

Crise no Poder Judiciário do Ceará. Depois de afastar dois desembargadores, o presidente do Tribunal de Justiça já avisou que outras cabeças coroadas vão ser decapitadas.

Andam mal as coisas entre o presidente do PSDB, José Aníbal, e o ministro José Serra. O candidato de FHC tem certeza de que Aníbal é quem mais trabalha contra sua candidatura.

Na juventude, a governadora Roseana Sarney foi do PC do B. Agora, se for candidata a presidente pelo PFL, ela vai tentar o apoio de seu amigo, o líder comunista Aldo Rebello.