Paulo Forte é ortopedista e médico do São Caetano. Corre o risco de ser mandado a júri popular sob a acusação de homicídio: seria o responsável pela morte em campo do lateral Serginho em outubro do ano passado, já que o jogador se submetera oito meses antes a exames cardiológicos no Incor e o cardiologista Edimar Alcides Bocchi diagnosticara uma arritmia em seu coração. ISTOÉ teve acesso com exclusividade a dois documentos periciais. Se o ortopedista se sentar no banco dos réus é porque o pegaram como bode expiatório.

• O laudo feito por médicos da Universidade Federal de São Paulo, respondendo a perguntas formuladas pelo próprio promotor de Justiça Rogério Leão Zagallo, registra que a Serginho deveria ter sido prescrito “beta-bloqueador”, indicação de “desfibrilador-cardioversor implantável” e, “dependendo da evolução, a médio ou longo prazo, transplante cardíaco”. Se o médico Edimar, sendo cardiologista, constatou a arritmia que colocava em risco a vida de Serginho, por que não prescreveu nenhum desses tratamentos? Por que não comunicou esses procedimentos a Paulo Forte, que é ortopedista? Por que o cardiologista não proibiu Serginho de continuar exercendo a profissão de jogar futebol? Mais: além de proibi-lo, teria de comunicar por escrito a sua proibição ao Conselho Regional de Medicina (artigo 40 do Código de Ética Médica). O médico se omite se “deixar de esclarecer ao trabalhador sobre as condições de trabalho que coloquem em risco a sua saúde, devendo comunicar o fato às autoridades, aos responsáveis e ao Conselho Regional de Medicina”. Pode ser que Edimar não tenha avaliado riscos na arritmia de Serginho e por isso não tomou tais medidas. Mas se ele, como cardiologista, eventualmente, não viu riscos, como Paulo Forte, que é ortopedista, os veria?]

• Laudo pericial feito pelo Instituto Del Picchia, ao analisar o prontuário médico de Serginho assinado pelo cardiologista Edimar Bocchi, conclui que esse prontuário sofreu adulterações:
“Existem provas de adulterações, praticadas mediante enxertos de dados substanciais, em vários dos apontamentos questionados.” O mesmo laudo diz que há “uma combinação que aponta com veemência para um enxerto total” com a pretensão de isentar responsabilidades. Exemplo de um dos enxertos no prontuário de Serginho: “Obs: jogador não comparece para acompanhamento, portanto não é nosso paciente – continua em atividade esportiva. Que tenha sorte, pois a chance de óbito (ilegível)”.